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Tróia: o épico de Brad Pitt que Nolan quase dirigiu

Tróia (2004), com Brad Pitt como Aquiles, deveria ter sido dirigido por Christopher Nolan. Com A Odisseia estreando hoje, vale revisitar o épico — classificação 14, 2h42min, Netflix.

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Daniel Krust
··6 min de leitura
Brad Pitt como Aquiles em armadura grega na praia de Tróia — épico de guerra que Christopher Nolan quase dirigiu

Tróia: o épico de Brad Pitt que Christopher Nolan quase dirigiu

A Odisseia estreia hoje nos cinemas brasileiros. E antes de você entrar na sala para ver Matt Damon atravessar o Mediterrâneo em IMAX 70mm, existe um filme de 2004 que merece uma revisita urgente — e uma história de bastidores que poucas pessoas conhecem.

Resposta rápida

Tróia (Netflix, 2004):

  • Classificação indicativa: 14 anos — violência de combate intensa e alguma nudez
  • Duração: 2h42min
  • Onde assistir: Netflix e Prime Video
  • Vale a pena? Sim — especialmente agora: o épico que Nolan quase fez é o prólogo perfeito para A Odisseia

A história que quase não existiu: Nolan e Tróia

O fato mais fascinante sobre Tróia não está na tela — está no que poderia ter estado.

Em uma matéria de capa da revista Empire, Nolan revelou que "foi originalmente contratado pela Warner Bros. para dirigir Tróia." O diretor havia acabado de lançar Memento e Insomnia e estava prestes a escalar uma montanha que definiria o cinema do século XXI. Mas a situação se complicou: Wolfgang Petersen havia desenvolvido o projeto antes, e quando o estúdio decidiu não prosseguir com o filme de super-herói que ele tinha em mãos, Petersen quis Tróia de volta. Nolan cedeu — mas não esqueceu: "No fim das contas, era um mundo que eu queria muito explorar. Ficou na minha mente por muito tempo."

A história acabou bem para todos os envolvidos. Segundo o roteirista de Batman Begins, David S. Goyer, "Batman foi um prêmio de consolação para [Nolan] porque ele estava desenvolvendo Tróia." O que parecia uma derrota virou a maior trilogia de super-heróis da história.

Levou 22 anos para Nolan finalmente chegar à mitologia grega por conta própria — agora como roteirista, produtor e diretor de A Odisseia.


O que é Tróia, afinal

Tróia adapta a Ilíada e mostra como a aliança entre o rei Agamenão (Brian Cox) dos gregos e o rei Menelau (Brendan Gleeson) dos espartanos leva ao ataque à cidade de Tróia, comandada por Príamo (Peter O'Toole). A batalha culmina no confronto entre Aquiles e o guerreiro troiano Heitor (Eric Bana).

Brad Pitt é Aquiles: arrogante, fisicamente impressionante, movido pela glória. Pitt era obrigado contratualmente a estrelar o filme — um projeto que ele sentia ter pouca profundidade criativa. E essa tensão aparece na tela: há momentos em que o ator parece maior do que o roteiro ao seu redor.

Petersen entregou um sucesso financeiro expressivo: Tróia arrecadou quase US$500 milhões no mundo todo com orçamento de US$175 milhões. Mas não foi amado pela crítica — o filme mantém 53% no Rotten Tomatoes dos críticos e 74% da audiência.


3 motivos para assistir antes de A Odisseia

1. Tróia é o prólogo direto de A Odisseia

A Odisseia é, de certa forma, uma sequência da Ilíada: enquanto a obra de Homero narra o fim da Guerra de Troia com foco em Aquiles, A Odisseia acompanha a jornada de Odisseu de volta para casa depois dessa mesma guerra. Assistir a Tróia antes é assistir ao Ato 1 de uma história que Nolan vai completar. Não é coincidência que Sean Bean apareça no filme de Petersen no papel exato de Odisseu — o personagem que Matt Damon vai interpretar no épico de Nolan.

2. O duelo Aquiles vs. Heitor ainda é brilhante

O ponto alto do filme é a coreografia dos duelos. O combate entre Aquiles e Heitor é filmado em plano-sequência e carrega um peso emocional raro em blockbusters de duas horas e meia. É o tipo de cena que envelheceu bem porque depende de performance e câmera — não de CGI.

Brad Pitt e Eric Bana passaram semanas em coreografia de combate com o coordenador Simon Crane antes de filmar a sequência final, que levou quase dois meses para ser finalizada. O resultado está na tela.

3. Peter O'Toole rouba o filme inteiro

Peter O'Toole como Príamo rouba cada cena em que aparece e eleva o tom do filme inteiro. Há uma sequência no terceiro ato em que o rei de Tróia vai pedir o corpo do filho ao inimigo — e O'Toole transforma dois minutos de diálogo em algo que parece Shakespeare. É o coração emocional de um filme que, às vezes, se perde na escala.


O que não funciona

Tróia tem falhas claras, e ignorá-las seria desonesto.

O roteiro enxuga a mitologia em excesso. A ausência de deuses ativos, a pressa na resolução da guerra e o sumiço do Cavalo de Tróia tiram o sabor homérico de quem conhece o original.

O romance entre Páris e Helena é narrado com pouco tempo de tela e soa funcional — não arrebatador. Orlando Bloom e Diane Kruger têm química limitada, e o roteiro de David Benioff (futuro co-criador de Game of Thrones) não dá muito espaço para construir esse amor como algo pelo qual valha a pena iniciar uma guerra.

A crítica da época dismissiu o filme como bonito mas esquecível, e considerou Pitt mal encaixado no papel. Duas décadas depois, esse veredicto parece severo demais — mas não totalmente injusto.


A simetria com A Odisseia

Com orçamento estimado em US$250 milhões, A Odisseia é o filme mais caro da carreira de Nolan — e o mais tecnicamente ambicioso: marca um passo técnico inédito, sendo o primeiro longa rodado inteiramente com câmeras IMAX 70mm.

O elenco reúne Matt Damon, Tom Holland, Jon Bernthal, Zendaya, Anne Hathaway, Mia Goth e outros — uma geração inteira de estrelas colocada a serviço da história mais antiga da literatura ocidental.

A ironia é bonita: o homem que perdeu Tróia em 2004 agora chega à continuação da mesma mitologia com orçamento ilimitado, câmera IMAX e 20 anos de carreira nas costas. Nolan disse que o mundo grego ficou na sua cabeça por muito tempo — especialmente certas imagens, como a forma de lidar com o Cavalo de Tróia. Em 2026, ele finalmente conta essa história do jeito que sempre quis.

Tróia não é obra-prima. Mas é boa o suficiente para funcionar como portal — e o portal certo para entrar em A Odisseia hoje.


Perguntas frequentes

Onde assistir Tróia (2004)?

O filme está disponível na Netflix e no Prime Video no Brasil. Também pode ser alugado ou comprado digitalmente em outras plataformas.

Qual a classificação indicativa de Tróia?

A classificação indicativa é 14 anos, devido à violência intensa de combate e cenas com alguma nudez.

Qual a duração de Tróia?

A versão cinematográfica tem 2h42min. Existe também uma versão estendida (Director's Cut) com duração maior, disponível em algumas plataformas.

Qual a nota de Tróia no Rotten Tomatoes?

O filme tem 53% dos críticos e 74% da audiência no Rotten Tomatoes — um clássico caso de filme popular que dividiu a imprensa especializada.

Por que Christopher Nolan não dirigiu Tróia?

Nolan foi originalmente contratado pela Warner Bros. para o filme, mas o diretor Wolfgang Petersen, que havia desenvolvido o projeto antes, retomou o comando quando o estúdio cancelou outro projeto que ele estava desenvolvendo. Nolan acabou dirigindo Batman Begins no lugar — e o resto é história.

Tags:#Tróia#Brad Pitt#Christopher Nolan#A Odisseia#épico histórico#Netflix#mitologia grega#Wolfgang Petersen

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