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Dark Horse: o que falta para o filme sobre Bolsonaro estrear
Previsto para 11 de setembro de 2026, Dark Horse ainda não tem distribuidora, enfrenta ação no TSE e carrega um escândalo de financiamento. Vale a pena esperar?

Dark Horse: o que falta para o filme sobre Bolsonaro estrear
Uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro com ator hollywoodiano, orçamento recorde e data marcada para estrear semanas antes das eleições. Parece roteiro de ficção — mas é o estado atual de Dark Horse, e a lista de obstáculos até o lançamento é longa.
O que é Dark Horse
Dark Horse retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, com foco no atentado a faca sofrido pelo então candidato e em sua ascensão até a vitória eleitoral daquele ano.
O filme é um drama biográfico brasilo-americano dirigido por Cyrus Nowrasteh, com roteiro assinado por ele e pelo co-roteirista Mark Nowrasteh. A história é baseada em material do deputado federal Mário Frias, ex-Secretário de Cultura do governo Bolsonaro. A produção é encabeçada por Eduardo Verástegui, conhecido por produzir Som da Liberdade.
O filme é estrelado por Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, e o elenco principal conta ainda com Marcus Ornellas, Sérgio Barreto, Eddy Finlay e Camille Guaty. Camille Guaty interpreta Michelle Bolsonaro.
O diretor Cyrus Nowrasteh adiantou que o público pode esperar um "thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque".
A data — e o problema dela
O protagonista Jim Caviezel chegou a anunciar a estreia de Dark Horse para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes da eleição presidencial que Flávio Bolsonaro espera vencer.
O calendário não é coincidência: Dark Horse tem endereço certo nos eleitores brasileiros que vão às urnas a menos de dois meses do lançamento previsto.
O problema é que, por enquanto, a data é mais intenção do que realidade. O site especializado Deadline afirmou, em abril, que o filme ainda não tem data oficial e segue em busca de distribuição. Sem distribuidora confirmada, o 11 de setembro pode ser só um alvo.
3 motivos que travam o lançamento
1. O escândalo do financiamento
O maior obstáculo é externo às filmagens. Em maio de 2026, em meio ao Escândalo do Banco Master, foram vazados áudios nos quais membros da produção e o senador Flávio Bolsonaro negociaram repasses de dinheiro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
A dona da produtora GoUp Entertainment, Karina Ferreira da Gama, confirmou em entrevista à GloboNews que Daniel Vorcaro foi responsável por mais de 90% da verba que viabilizou o filme, com orçamento já realizado em cerca de 65,7 milhões de reais (13 milhões de dólares). Segundo Karina, o dinheiro não foi transferido diretamente por Vorcaro ou por suas empresas, mas passou primeiro pelo fundo Havengate.
Reportagens de 15 de maio de 2026 afirmaram, com base em contratos e mensagens, que Eduardo Bolsonaro serviu como produtor-executivo do filme e tinha responsabilidades relacionadas à estratégia de financiamento e captação de investidores.
2. A ação no TSE
Com a polêmica do financiamento, veio a reação jurídica. O deputado federal Rogério Correia (PT/MG), o Coordenador do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, e o advogado Reinaldo Santos de Almeida acionaram o Tribunal Superior Eleitoral para impedir que Dark Horse seja usado como instrumento de propaganda eleitoral dissimulada nas eleições de 2026.
A representação argumenta que "a magnitude financeira, combinada com o conteúdo biográfico-político da obra e com o calendário de lançamento próximo à eleição, aproxima o caso de uma operação de comunicação política de massa", pedindo ao TSE que reconheça propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder econômico e financiamento eleitoral paralelo.
A defesa do lado oposto aponta para a liberdade de expressão: segundo o advogado eleitoral Kaleo Dornaika, o entendimento sobre propaganda eleitoral irregular "deve ser sopesado com a livre manifestação do pensamento, já que se trata, a princípio, de uma obra artística".
3. Irregularidades na produção e sem distribuidora
As questões jurídicas e financeiras se somam a problemas operacionais. Com orçamento superior ao de longas indicados ao Oscar, a produtora de Dark Horse operou no Brasil sem registro na Ancine, sem vistos de trabalho para estrangeiros e sem pagar parte da equipe brasileira.
A GoUp Entertainment, empresa responsável pela produção no Brasil, não possui histórico de produção de longa-metragens — nunca lançou um filme anteriormente, seja no Brasil ou no exterior. As outras empresas registradas no nome da proprietária também não possuem histórico cinematográfico, segundo a Ancine.
Além disso, pelo menos 14 figurantes que participaram das filmagens registraram queixas sobre condições "humilhantes" de trabalho, incluindo pagamentos atrasados, fornecimento de comida estragada e restrições abusivas ao uso de banheiro.
As filmagens: o que já foi feito
Apesar dos obstáculos, boa parte do filme já está nas latas. As filmagens começaram em outubro de 2025, tendo como primeira locação o Hospital Indianópolis, na Zona Sul de São Paulo. Jim Caviezel passou aproximadamente três meses no Brasil para gravações em diferentes regiões. As filmagens seguiram para o México e serão finalizadas em Hollywood no ano de 2026.
Vale a pena esperar?
Dark Horse ainda não estreou — e, por enquanto, ninguém pode dar um veredicto de qualidade sobre o filme em si. O que já é possível avaliar é o contexto ao redor dele, e esse contexto é explosivo: dinheiro de origem contestada, investigações abertas, ação no TSE e uma produtora sem histórico no cinema. Tudo isso antes de um único ingresso ser vendido.
Para quem acompanha cinema, a curiosidade é legítima. Um ator do calibre de Jim Caviezel, um diretor com carreira estabelecida em Hollywood e o maior orçamento da história do cinema brasileiro são ingredientes que justificam atenção. O problema é que, no momento, Dark Horse é menos um filme e mais um episódio de crise política.
A estreia, se acontecer, promete ser um dos eventos cinematográficos mais comentados do Brasil em décadas — pelos motivos certos ou pelos errados.
Perguntas frequentes
Quando estreia Dark Horse no Brasil?
Jim Caviezel anunciou a previsão de estreia nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2026, mas o site Deadline informou, em abril, que o filme ainda não tem data oficial e segue em busca de distribuição. Não há data confirmada de lançamento no Brasil.
Quem faz o papel de Bolsonaro em Dark Horse?
Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro, e o elenco principal conta ainda com Marcus Ornellas, Sérgio Barreto, Eddy Finlay e Camille Guaty.
Quem dirigiu Dark Horse?
A direção é do norte-americano Cyrus Nowrasteh, conhecido por produções como O Apedrejamento de Soraya M. (2008) e O Jovem Messias (2016).
Dark Horse pode ser proibido de estrear?
Um grupo de juristas e o deputado federal Rogério Correia acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão da exibição do filme até o término das eleições. O TSE ainda não se pronunciou definitivamente.
Qual o orçamento de Dark Horse?
O orçamento já realizado está em cerca de 65,7 milhões de reais (13 milhões de dólares), tornando-o o maior montante destinado a uma única produção na história do cinema brasileiro.
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