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ALPHA (2026): classificação, duração e vale a pena?

ALPHA, novo filme de Julia Ducournau, estreia nos cinemas brasileiros em 4 de junho. Classificação 18 anos, 128 min. Vale a pena? Veja nossa análise.

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Daniel Krust
··5 min de leitura
Mélissa Boros como Alpha em corredor escolar sombrio — lançamento do filme ALPHA de Julia Ducournau nos cinemas brasileiros em junho de 2026

ALPHA (2026): o novo filme de Julia Ducournau chega ao Brasil amanhã

A diretora de Titane e Raw está de volta — e mais pessoal do que nunca. ALPHA estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026, trazendo uma das vozes mais provocadoras do horror contemporâneo de volta às telas.


Resposta rápida

ALPHA (cinemas, 2026):

  • Classificação indicativa: 18 anos
  • Duração: 2h 8min (128 min)
  • Onde assistir: nos cinemas brasileiros a partir de 4 de junho de 2026 (distribuição MUBI / O2 Play)
  • Vale a pena? Sim, especialmente para fãs de cinema de autor e horror visceral — mas prepare-se para um filme mais sombrio e menos adrenalínico do que Titane

O que é ALPHA?

Julia Ducournau construiu uma carreira inteira sobre corpos em transformação, medo visceral e metáforas sociais que grudam na pele. Em Raw (2016), o canibalismo virou espelho da repressão e da identidade. Em Titane (2021), a fusão humano-máquina ganhou a Palma de Ouro de Cannes.

Em ALPHA, a cineasta muda de tom — sem abandonar a essência.

O filme acompanha Alpha, uma adolescente problemática de 13 anos que vive com a mãe solo. O mundo das duas começa a desmoronar quando Alpha volta da escola com uma tatuagem no braço — e rumores sobre uma doença contagiosa transmitida pelo sangue começam a circular. A marca no corpo vira sentença social antes mesmo de qualquer diagnóstico.

A trama se passa nos anos 1980, e a alegoria é explícita: ALPHA fala sobre o HIV, sobre pânico coletivo, sobre o que o medo faz com as pessoas antes que qualquer fato seja confirmado. Segundo a própria Ducournau, o filme nasceu das lembranças do medo coletivo durante a crise do HIV nos anos 1980 e 1990 — e de como esse medo levou à marginalização de grupos inteiros.


3 motivos para ver ALPHA no cinema

1. Julia Ducournau está se reinventando

Titane era desconcertante, violento e quase cômico em seus excessos. ALPHA é o oposto: contido, melancólico, doloroso. A cineasta declarou publicamente que percebeu estar repetindo padrões nos dois primeiros filmes e quis ir além — expor-se mais, aprofundar a vulnerabilidade emocional. O resultado é um filme que incomoda de um jeito diferente: não pelo choque, mas pela proximidade.

2. O elenco entrega além do esperado

Mélissa Boros (estreante) carrega o filme inteiro nas costas com uma performance crua e instintiva como Alpha. Golshifteh Farahani (Extraction) é a mãe dividida entre amor e terror. E Tahar Rahim (Monsieur Aznavour) entrega provavelmente o papel mais físico da carreira: o ator emagreceu 20 quilos para interpretar o tio Amin, um homem destruído pela heroína que reaparece na vida da família no momento mais crítico. Emma Mackey (Sex Education) também integra o elenco.

3. É um dos últimos grandes filmes de festival chegando ao circuito nacional

ALPHA estreou na competição oficial do Festival de Cannes 2025 e percorreu Locarno, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o BFI London Film Festival e Busan antes de chegar às salas brasileiras. Receber esse tipo de produção no circuito comercial nacional é raro — e a janela nos cinemas tende a ser curta.


O que a crítica está dizendo

As avaliações globais são divididas, o que, curiosamente, diz muito sobre o filme.

No IMDb, ALPHA tem 5,9/10. No Rotten Tomatoes, marca 57% entre os críticos. Os elogios se concentram na fotografia grainy e propositalmente feia dos anos 80, na coragem temática e nas performances. As críticas apontam para a narrativa fragmentada, o ritmo irregular e personagens que nem sempre se conectam emocionalmente com o espectador.

É o tipo de obra que polariza — e isso, vindo de Ducournau, é quase uma garantia de qualidade autoral. Seus filmes nunca foram fáceis. ALPHA, talvez, seja o mais difícil de todos.

A imprensa internacional também registrou reações entusiastas: "uma experiência selvagem, fascinante, estranha e que vale a pena" é como a Vogue descreveu o filme em cobertura de festivais.


Curiosidades dos bastidores

  • ALPHA é uma coprodução França-Bélgica, produzida pela Mandarin & Compagnie, Kallouche Cinéma e Frakas Production.
  • Tahar Rahim perdeu 20 quilos para o papel — uma transformação física rara até para os padrões do método.
  • Julia Ducournau é a única mulher a vencer a Palma de Ouro de Cannes em solitário (com Titane, em 2021).
  • O filme estreou em Cannes 2025 — o que significa que o Brasil recebe a obra quase um ano após a estreia mundial. O percurso pelos festivais, no entanto, é um dos mais extensos do circuito autoral recente.

Vale a pena?

Depende do que você espera.

Se você entra no cinema querendo o body horror visceral e perturbador de Titane, vai encontrar um filme diferente. ALPHA é mais lento, mais íntimo, mais alegórico. A câmera continua desconfortável, o corpo continua sendo um campo de batalha — mas a guerra agora é social e afetiva, não apenas física.

Para quem aprecia cinema de autor exigente, a resposta é um sim claro. Ducournau está arriscando, e isso nunca deixa de ser estimulante de se ver.


Perguntas frequentes

Qual a classificação indicativa de ALPHA?

O filme tem classificação indicativa de 18 anos para o circuito comercial brasileiro.

Quanto tempo dura ALPHA?

128 minutos (2 horas e 8 minutos).

Onde assistir ALPHA?

A partir de 4 de junho de 2026, nos cinemas brasileiros com distribuição da MUBI e O2 Play. Não há data confirmada de chegada ao streaming até o momento da publicação.

Qual é a nota de ALPHA no IMDb e no Rotten Tomatoes?

No IMDb, o filme marca 5,9/10. No Rotten Tomatoes, tem 57% de aprovação da crítica.

ALPHA é baseado em fatos reais?

Não diretamente, mas é fortemente inspirado na crise do HIV nos anos 1980 e 1990. Julia Ducournau afirmou que o filme nasceu das suas memórias do medo coletivo daquela época e da estigmatização que o vírus provocou na sociedade.

Tags:#Julia Ducournau#Lançamentos Cinema#Body Horror#França#2026#Mubi#Terror#Review

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