A Menina Que Queria Ser Pedra: curta de Jackson Abacatu estreia em BH
O cineasta mineiro Jackson Abacatu estreia seu novo curta-metragem de animação em BH. Vale a pena conferir? Três motivos pra ir ao Cine Santa Tereza nesta quinta.

A Menina Que Queria Ser Pedra: o curta de Jackson Abacatu que vai contra tudo que é fácil
Num tempo em que inteligência artificial gera vídeos em segundos, um cineasta mineiro decidiu pintar quadro por quadro com nanquim sobre páginas de livros antigos. O resultado chega amanhã, 7 de maio de 2026, ao Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte — e vale muito o deslocamento.
O que é "A Menina Que Queria Ser Pedra"
Novo curta-metragem de Jackson Abacatu, o filme tem 9 minutos, classificação livre e entrada gratuita. A sessão de estreia acontece nesta quinta-feira (7/5), às 19h, no Cine Santa Tereza, na Rua Estrela do Sul, 89, no bairro Santa Tereza. A produção conta ainda com tradução em Libras, tornando a experiência acessível a todos os públicos.
Abacatu é artista visual, cineasta e músico — e faz parte daquela rara espécie de criadores que nunca se contentam com uma única linguagem. Formado em Cinema de Animação e Escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG, ele acumula 18 curtas-metragens e 18 videoclipes ao longo de duas décadas de carreira, além de dois álbuns de músicas autorais. Em 2026, completa 20 anos dedicados à criação artística — e "A Menina Que Queria Ser Pedra" chega como uma espécie de celebração silenciosa e rigorosa desse marco.
Como o filme foi feito — e por que isso importa
A técnica usada no curta é o que mais chama atenção antes mesmo de sentar na cadeira do cinema.
Abacatu parte de páginas de livros antigos como suporte físico da animação. Cada cena começa em animação 2D, que é então projetada e pintada manualmente com nanquim sobre o papel. As páginas são organizadas em composições físicas — com um ou vários livros simultaneamente — e capturadas em sequência, fotograma a fotograma.
É stop motion. É pintura. É literatura. É cinema. Tudo ao mesmo tempo.
Esse método artesanal vai na contramão direta da lógica atual de produção audiovisual, cada vez mais dominada por processos automatizados. Enquanto o mercado acelera, Abacatu desacelera de propósito — e faz disso uma declaração estética.
3 motivos pra não perder a estreia
1. Técnica que você raramente verá nas telas
Animação pintada à mão sobre livros antigos não é coisa que aparece todo dia. Ao longo da carreira, Abacatu já explorou recorte, 2D tradicional, stop motion, animação em areia e pintura em vidro. Cada técnica foi escolhida pelo que ela significa, não apenas pelo que ela mostra. "A Menina Que Queria Ser Pedra" eleva esse comprometimento a um novo patamar.
2. Um diretor com currículo de festival internacional
O trabalho de Abacatu já circulou por Canadá, Portugal, Argentina, Espanha, Tanzânia e Irlanda. Ele venceu, entre outros, o prêmio de Melhor Animação no 33º Festival Guarnicê de Cinema, além do 7º Prêmio BDMG Cultural. Ou seja: não é estreante. É artista com trajetória sólida e reconhecida fora do Brasil. Ver a estreia de um trabalho assim em BH, antes de qualquer festival, é privilégio.
3. Entrada gratuita e acesso total
O ingresso não custa nada. A sessão tem tradução em Libras. São apenas 9 minutos de duração. Não existe argumento logístico que justifique ficar em casa.
Quem é Jackson Abacatu?
O diretor mineiro construiu uma carreira marcada, nas próprias palavras de quem acompanha sua obra, pela "recusa em se fixar a uma única linguagem ou técnica". Filmes como Tembîara (2011), sobre cultura indígena e língua tupi, e O Homem que Pintava Músicas (2013), que entrelaça animação e linguagem musical, mostram um artista sempre em busca de novas conexões entre forma e conteúdo.
"A Menina Que Queria Ser Pedra" chega como síntese madura de tudo isso — um filme que resiste, que tem paciência, que existe porque alguém quis fazê-lo do jeito mais trabalhoso possível. Num cenário de produção acelerada e conteúdo descartável, isso é, em si mesmo, uma provocação bem-vinda.
Vale a pena?
Sim. Se você mora em BH ou está na cidade nesta quinta-feira, o Cine Santa Tereza às 19h é o melhor lugar pra estar. São 9 minutos de cinema feito com intenção — o tipo de coisa que fica na cabeça muito depois de acabar. E é de graça.
Perguntas frequentes (FAQ)
"A Menina Que Queria Ser Pedra" vale a pena?
Sim. O curta de Jackson Abacatu é uma experiência visual rara, construída com técnica artesanal sobre páginas de livros antigos. Com apenas 9 minutos e entrada gratuita, é uma das melhores oportunidades de ver cinema de autor em BH em 2026.
Onde e quando estreia "A Menina Que Queria Ser Pedra"?
A estreia acontece no dia 7 de maio de 2026, às 19h, no Cine Santa Tereza, localizado na Rua Estrela do Sul, 89, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. A entrada é gratuita e a sessão conta com tradução em Libras.
Quem é Jackson Abacatu?
Jackson Abacatu é artista visual, cineasta e músico mineiro, formado em Cinema de Animação e Escultura pela UFMG. Em 2026, completa 20 anos de carreira, com 18 curtas-metragens dirigidos e premiações em festivais nacionais e internacionais, incluindo o Festival Guarnicê de Cinema.
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